O material que se conhece é o material que se valoriza

O material que se conhece é o material que se valoriza

“Quando se fala de têxteis pós consumo , a conversa costuma começar pelo volume: quantas toneladas se recolhem, quantos contentores, quantos quilos por habitante. São números úteis. Mas não respondem à pergunta que decide o que acontece a seguir: o que é este material, e que valor ainda tem?”

Foi essa a pergunta que levámos ao Seminário Internacional sobre a Gestão Circular de Resíduos Têxteis, que decorreu a 24 e 25 de setembro na Fábrica de Santo Thyrso.

Uma reunião europeia sobre o percurso dos têxteis

O seminário foi a reunião internacional TEXAD, Advanced Circular Textile Waste Solutions for European Municipalities, um projeto do programa Interreg Europe. O Município de Santo Tirso recebeu os parceiros europeus para dois dias dedicados ao percurso dos têxteis pós-consumo: a recolha, a triagem e a reintegração em novos ciclos de produção.

A ReTex participou no segundo dia, 25 de setembro, no painel dedicado às boas práticas em Portugal. Pedro Fonseca, CEO da ReTex, apresentou o projeto-piloto de recolha porta-a-porta de têxteis pós-consumo do Município da Maia.

Como funciona a recolha na Maia

O piloto arrancou a 22 de julho de 2026, em parceria com a Maiambiente e o Município da Maia, e está integrado na plataforma de circularidade da ReTex.

  1. Os residentes da Maia pedem a recolha através da plataforma e recebem as indicações para preparar os têxteis.

  2. No dia marcado, a equipa da ReTex faz a recolha em casa.

  3. Os artigos seguem para triagem especializada, onde cada peça é avaliada por estado de conservação, tipologia, sazonalidade e potencial de valorização.

  4. Cada artigo é acompanhado ao longo do percurso, até ao seu destino final.

Porque a avaliação muda tudo

Um saco de roupa usada pode conter muitas coisas diferentes. Uma peça em bom estado e adequada à estação tem um caminho. Uma peça gasta, mas com uma tipologia interessante, tem outro. Pelo peso, não se distingue nenhuma delas.

Os quatro critérios que aplicamos servem para isso. O estado de conservação e a tipologia dizem o que a peça é e como está. A sazonalidade diz quando faz sentido voltar a colocá-la em uso. O potencial de valorização junta tudo numa decisão: qual é o próximo ciclo que recupera mais valor deste material.

A rastreabilidade fecha o circuito. Saber para onde foi cada artigo permite verificar se a decisão foi a certa, e dá a quem recebe o material a informação de que precisa para o trabalhar.

Na síntese publicada pela TEXAD, este contributo foi descrito como passar "do quilo ao conhecimento". É uma boa forma de o resumir.

O que fica do seminário

O programa de dois dias atravessou a cadeia de valor têxtil, da recolha e triagem até à fiação, malha e tecelagem. A conclusão é que nenhuma destas etapas funciona isolada. A triagem decide melhor quando sabe o que recebe, e a indústria precisa de matéria-prima com características conhecidas.

É aí que a ReTex se posiciona: no início do percurso, a transformar uma recolha em informação que acompanha o material até ao seu próximo ciclo.

Um material têxtil não perde o valor quando deixa de cumprir a sua função original. Perde-o quando ninguém sabe o que ele é.

Mora na Maia? Peça a sua recolha na plataforma da ReTex. Para mais informações: geral@retex.pt